A prática de misturar cola branca, especialmente a do tipo PVA, com massa corrida tem se tornado comum entre alguns profissionais e amadores da construção. Essa técnica é utilizada para corrigir pequenos buracos e reforçar quinas, mas traz riscos significativos para a durabilidade e a qualidade da aplicação.
Efeitos da mistura
A adição de cola à massa corrida tradicional altera suas propriedades físicas, tornando a cura mais rígida e dificultando o lixamento fino. Isso ocorre porque o polímero da cola envolve as partículas minerais, formando uma matriz que não se comporta mais como um composto de nivelamento, mas sim como um plástico semirrígido.
Além disso, a mistura pode resultar em três efeitos colaterais indesejáveis: primeiro, a dificuldade para lixar a superfície, que pode exigir lixas muito mais abrasivas que danificam a parede; segundo, a reemulsificação em ambientes úmidos, onde a cola não resiste e a pintura pode descascar; e, por último, a formação de uma película impermeável que impede a adesão adequada da tinta.
Alternativas recomendadas
Para reparos em furos profundos ou áreas sujeitas à umidade, é mais eficaz utilizar gesso de secagem rápida ou massa acrílica industrial, que são formuladas para essas condições. A simples mistura de massa corrida com cola pode ser aceitável em trabalhos de marcenaria ou artesanato, mas não em aplicações em paredes.
Opinião dos especialistas
Os especialistas em pintura e técnicos em química recomendam evitar a adição de cola a produtos prontos para uso. A massa corrida é formulada com aditivos que garantem sua eficácia, e a mistura caseira pode comprometer sua estabilidade microbiológica, levando ao apodrecimento e à formação de bolor sob a pintura.
A norma ABNT NBR 11702 estabelece diretrizes rigorosas para massas niveladoras, limitando sua espessura e garantindo que sejam utilizadas de maneira adequada. A prática de alterações não autorizadas na formulação pode resultar em problemas estruturais e na qualidade do acabamento final.



















