A queimação no peito que ocorre ao deitar, conhecida como pirose noturna, é um sintoma que deve ser levado a sério. Embora muitas pessoas a considerem apenas um desconforto temporário, quando se torna frequente, pode indicar refluxo gastroesofágico, que ocorre quando o conteúdo estomacal ultrapassa as barreiras naturais do trato digestivo.
Entendendo o refluxo noturno
O estômago possui uma mucosa resistente ao ácido, enquanto o esôfago tem um revestimento mais delicado. O esfíncter esofágico inferior (EEI) é crucial para impedir o refluxo. Ao se deitar, a gravidade não ajuda a manter os alimentos e líquidos no estômago, o que pode permitir que o ácido suba pelo esôfago, especialmente se o EEI estiver enfraquecido.
Sintomas associados ao refluxo
Além da queimação, o refluxo noturno pode levar a outros sintomas que muitas vezes não são imediatamente ligados ao estômago. Pacientes podem acordar com tosse seca, sensação de pigarro ou até rouquidão. Esses sintomas são resultado da irritação causada pelo ácido ao entrar em contato com as vias aéreas e a garganta.
Os sinais mais comuns incluem:
1. Regurgitação ácida: retorno involuntário de líquido amargo ou azedo ao mudar de posição na cama. 2. Tosse seca noturna, que pode ser uma resposta à microaspiração de vapores ácidos. 3. Sensação de nó na garganta devido à inflamação provocada pelo refluxo. 4. Rouquidão ao acordar, causada por edema nas cordas vocais. 5. Despertares frequentes devido a dor ou engasgos.
Riscos do refluxo noturno
De acordo com o Consenso Brasileiro da Doença do Refluxo Gastroesofágico, o refluxo noturno não é apenas um incômodo, mas pode aumentar o risco de esofagite erosiva e outras complicações. Estudos indicam que cerca de 12% da população adulta em áreas urbanas no Brasil enfrenta episódios recorrentes de refluxo ácido. O refluxo que interfere no sono pode levar a condições mais graves, como o esôfago de Barrett, que requer monitoramento regular por meio de exames endoscópicos.



















