A mistura de leite com cimento, popular entre aqueles que buscam alternativas econômicas para renovar ambientes, tem raízes na bioconstrução. Essa técnica, que remonta a práticas históricas, utiliza a caseína do leite, uma proteína que reage com a alcalinidade do cimento, formando caseinato de cálcio, um ligante natural.
Como ocorre a reação química?
Quando o leite entra em contato com compostos alcalinos, como o hidróxido de cálcio presente no cimento, a caseína se precipita, resultando em uma substância que age como cola após a secagem. Esse princípio é a base da chamada "milk paint", uma tinta de leite utilizada em construções e marcenaria tradicionais, proporcionando uma camada fosca e permeável ao vapor.
Riscos da aplicação em pisos e paredes
Apesar de sua eficácia estética inicial, a aplicação de leite com cimento em pisos ou áreas sujeitas a atrito não é recomendada. A Associação Brasileira de Cimento Portland e a norma ABNT NBR 14050 alertam para os riscos, que incluem:
1. Proliferação de mofo e odores: a presença de matéria orgânica no leite pode causar degradação bacteriana em caso de infiltração ou umidade, resultando em manchas escuras e cheiros desagradáveis.
2. Desgaste e descolamento: a película formada pela mistura é fina e não suporta o desgaste de calçados ou a movimentação de móveis, ao contrário do cimento queimado convencional, que tem alta resistência.
3. Confusão terminológica: o termo "leite de cimento" na construção se refere a uma calda de cimento e água, e não à bebida animal, o que pode levar a interpretações equivocadas.
Quando usar a técnica corretamente?
A combinação de leite desnatado com cimento é indicada apenas para artesanato e bioconstrução decorativa em ambientes secos. A proporção recomendada é de um litro de leite desnatado para um quilo de cimento, aplicando em demãos finas sobre superfícies previamente umedecidas.
Além disso, a técnica da nata de cimento, utilizada por pedreiros, é mais adequada para estabilizar pisos, pois penetra nas microfissuras e cria uma superfície nivelada. É importante seguir as dosagens corretas e as normas técnicas para garantir a resistência e durabilidade do material.



















